domingo, 5 de dezembro de 2010

Esta manhã quando fui a Sines levar o meu irmão, estava uma tempestade bizarra. O ar estava morno e húmido, mas subia o frio outonal pelo chão acima. Chovia. O céu era um manto de retalhos de tons de negro e cinzento, e quando o Sol começou a tentar romper a escuridão estava completamente coberto, e uma escassa luz brilhou. Pensei para mim mesmo que se calhar Deus estava a falar e ninguém ouvia, acho que ouvi esta frase de um parente quando era miúdo, e como isso me parecia certo. Porque como o mundo vai, parece-me que toda a gente anda tão ocupada que não pára um instante para pensar e ouvir Deus, ouvir a natureza, o meio ambiente. Eu, sem me querer fazer mais que os outros, devo ser estúpido, porque gosto de ouvir o vento, de tocar e falar com as árvores. Aliás, acho que já mantive diálogos mais interessantes com plantas ou animais do que com pessoas, a maioria das pessoas está tão desligada do mundo natural, que andam pelo mundo como estranhas formas de vida, alheias até a si mesmas... Que poético, para quem transmite pensamentos para uma máquina... De facto, a ironia não me falhou, sei o estranho que é falar assim do nosso mundo que nos dá coisas tão práticas como a net, mas o facto é que eu não teria qualquer problema em viver numa cabana de pedra no meio de um bosque, e viver de forma simples. Provavelmente ficaria farto e arranjaria algo para fazer, mas sei que conseguiria viver em harmonia com o meio ambiente e com o ritmo das estações. Digam o que disserem, mas coisas como ares condicionados e frutas tropicais em países do norte são anti-naturais, se tivéssemos de viver de acordo com o ritmo do mundo, ele seria um lugar muito melhor, além de que pararíamos de nos meter na vida uns dos outros, e isso, no que me diz respeito, seria uma mui bem vinda mudança. Toda a gente quer saber como o fulano e Beltrano vivem, eu, não tenho o mínimo interesse nisso, nem sequer me interesso pelos vizinhos, conhecer alguém deve e tem de ser mais que ocasiões pré-fabricadas por uma sociedade que nos quer iguais e indiferentes. Bares e copos são idiotices, são imagens travestidas de rituais que eram importantes, desprovidas de sentimentos e de mensagem humana, bebesse ao máximo e fo*de*s* ao máximo, e nada tem qualquer significado. Conhecer alguém é falar com a pessoa, ver, tocar e sentir. Sem intimidade um encontro - seja de que natureza for - nada mais é que uma imagem estéril, uma fotografia do mar e não o mar...
Bem, não me apetece falar mais, outro dia virá...