segunda-feira, 28 de junho de 2021

 Estranha neblina que não se vê.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Eu gosto de cenouras é verdade

 Mas só gosto de cenouras cruas, salada de cenoura com um belo bife de vaca é espetacular.

 A variação conjunta dos factores bi-dimensionais está a tornar-se literal na medida que, tendo em conta um prespectiva interdiagonal das relações assincronas de natureza cromática, tem vindo a existir uma avaliação psicopático-fisica da eternidade interestelar dos avanços neo-demosténicos da raiz autónoma da própria variação. 

Assim sendo, é plaúsivel considerar esta variação conjunta dos factores bi-dimensionais como não uma simples variação do factor estático n.º 23, mas sim uma realidade múltipla de dimensões exequíveis tornadas imperceptiveis devido à ausência de órgãos sensoriais adequados para percepcionar a placa giratória da realidade em questão.

Tal facto poderá até levar-nos a questionar tal verdade, tendo em conta o factor ribosintático da estrutura idiosincrética da realidade filoménica do ponto de ligação extra colericonico cálquitico.

Fim

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Eu gosto de cenouras

 Eu gosto de cenouras.

 É difícil compreender a inutilidade do processamento das unidades singulares para além da colectividade da inutilidade vazia da proximidade existencial de algo. Porém, ao contemplar o conjunto das colectividades sem tomar atenção às singularidades constata-se que as colectvidades são elas próprias singularidades parte de uma pan-colectividade.

 Anjos.

Demónios.

Vivos.

Mortos.

Um lindo dia cinzento de fim de Verão.

domingo, 12 de agosto de 2012

1.
O sol tombou sobre a planicíe fria e vazia. O homem atirou mais um pedaço de madeira seca na fogueira e respirou fundo. Tinha feito acampamento nas rúinas de uma velha casa, um tradicional monte alentejano, abandonado há muito, como todas as casas, vilas e cidades. O esqueleto limpo e luzidio do dono da casa, ou do seu último ocupante, estava sentado a um dos cantos do único compartimento da casa, sentado numa cadeira de madeira que apodrecia, lentamente desfazendo-se em pó.
A casa ainda tinha telhado, danificado, mas suficientemente resistente para passar a noite. O homem tinha acendido a fogueira no meio do chão, a lareira estava arruinada, atafulhada com os tijolos que tinham tombado com a chaminé. O fumo era pouco, e escapava-se pelos buracos que tinham sido janelas e portas, e pelos buracos no telhado.
O homem segurava nas mãos um dos últimos vestígios do mundo que conhecera que ainda funcionava. Um relógio digital. A pilha ainda funcionava, e tinha a recarregado há mais de dois anos. A bracelete de plástico tinha-se partido, por isso o homem pendurou o relógio ao pescoço com um cordel, usando-o como um colar. Tinha mais dois pertences que nunca deixava, enrolados cuidadosamente em plástico para não se debotarem com a chuva e a humidade, duas fotografias, de uma mulher de cabelos ruivos e de uma bébé com 3 ou 4 anos, igualmente pálida e ruiva. O homem era encorpado, tinha longas barbas cinzentas e o crânio cuidadosamente rapado. Tinha um rosto vazio e frio, como a terra onde vagueava, mas cada vez que olhava para aquelas fotografias o seu rosto iluminava-se, e por momentos os olhos castanhos e escuros pareciam aqueles de um homem, e não de um lobo.

António Rainha